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Postagens

A busca incessante de amor

"Amor em tempos de pressa" é o título de um artigo que encontrei numa das revistas que estava organizando. Parei para reler e me interessei pelo assunto. O artigo iniciava com a explicação do sociólogo polonês Zigmunt Bauman para o fato de as relações amorosas serem tão instantâneas atualmente. Para ele, autor do livro "Amor líquido" , esses relacionamentos acompanham o ritmo de consumo exacerbado que vivemos. Explica o escritor que, do mesmo modo que consumimos objetos e depois os trocamos por outros mais novos, e ainda, levados pela publicidade e a mídia que torna tudo muito mais atraente; também no amor há uma sede de consumo. Para ele, "pessoas diferentes, namoros, experiências sexuais: todos nós teríamos uma ânsia em provar tudo e, ao mesmo tempo, sentir uma sensação de prisão, quando finalmente estivéssemos com alguém."  Sim, pois logo partiríamos para outras conquistas, talvez maiores ou mais emocionantes. Concordo que vivemos uma épo...

O otimismo necessário

Nesta semana vi uma matéria do caderno Equilíbrio , da Folha de São Paulo, intitulada "O otimista quebra a cara" . Isso me chamou a atenção; curiosa e otimista que sou, fui ler. Tratava a matéria do estudo de uma neurocientista israelense chamada Tati Sharot , cujas pesquisas tentam demonstrar que certas atitudes esperançosas, muito incentivadas pela cultura atual, podem levar as pessoas a enormes erros de cálculo e, por serem otimistas demais, não fazerem exames médicos, não pouparem dinheiro ou não usarem filtro solar, por exemplo. Em seu estudo, mostra ela que entre os 80% dos voluntários, cujas atividades foram registradas e observadas, a maioria pensa que o futuro será melhor. Pois é.... Que coisa boa!... Não, não para ela. Para ela, essas pessoas, ao imaginarem que o futuro será melhor, não pensam que podem ter um câncer, que podem perder o emprego, que podem se divorciar ou que não viverão tanto quanto imaginam. Que horror isso!... A neurocientista estuda ...

Sabedoria

Se alguém perguntar se sua vida foi, até agora, um sucesso ou um fracasso, o que você vai responder? Detalhe: dinheiro não tem nada a ver, ser famosa e ter aparecido em capas de revista também não. Então o que é ter tido uma vida de sucesso? Bem, depende de cada um. Todos nós já ouvimos, da boca de uma mulher modesta, a frase "criei meus filhos, estão todos encaminhados, posso me considerar realizada". E quem nunca ouviu, de pessoas que aparentemente têm tudo - por tudo entenda-se família, saúde, dinheiro, amor, mesmo que não seja verdadeiro, e não necessariamente nessa ordem -, mas vivem eternamente infelizes, tentando, inutilmente, entender o significado da vida? Temos todos - quase todos - excelentes razões para achar que nossa vida foi gloriosa ou um vale de lágrimas. Você, por exemplo, já deve ter passado por ótimos e por péssimos momentos; quais ficaram na sua cabeça, ou melhor, no seu coração? Os melhores ou os piores? É difícil fazer essa avaliação; às vez...

Afeto não é peça de museu

Já escrevi aqui neste blog sobre o apego que temos pelos nossos objetos pessoais, outros nem tão pessoais, e os que nunca o foram. São as nossas roupas, sapatos, livros, enfim, todo tipo de objeto que compramos ou ganhamos, que muito nos serviram, mas que caíram em desuso um dia. E por caírem em desuso, acabamos guardando e nos esquecendo deles por muito tempo no fundo de uma gaveta. Gostamos muito daquela blusa e nem por isso a usamos mais, mas também não nos desfazemos dela ou do livro, excelente, que também não relemos e se amontoa junto a outros tantos... Bom, estes são só alguns exemplos de nossa dificuldade em darmos outra finalidade ao que temos. Eu não conseguia me desfazer facilmente de minhas roupas. Sempre achava que voltaria a usá-las e não as dava mesmo. Guardava. Comecei a mudar de ideia, quando mudei da casa de meus pais, que era grande, para meu apartamento, que é pequeno. Desfazer-me de muita coisa foi imprescindível. E fui aprendendo que tudo ...

Desistindo de sonhos

Gostei muito de dois artigos* do psicanalista e escritor Contardo Calligaris sobre o que ocorre quando desistimos de nossos sonhos. No primeiro artigo ele dedicou-se a analisar a vida de Gil Pender , personagem do filme "Meia-noite em Paris" , dirigido por Wood Allen. Conta ele sobre o sonho que o personagem tem de escrever um romance, e não mais roteiros dos quais não gosta, mas com os quais ganha dinheiro. No entanto o que o leva a esse conflito é sua renúncia a fim de agradar a noiva que ama. Tratar da desistência de sonhos, que é algo comum na vida das pessoas, rendeu ao articulista muitas cartas de leitores que em algum momento da vida também desistiram de seus sonhos. Levantaram questões para o escritor como, por exemplo, "se desistir não é apenas o efeito de um conflito?" , “se desistir dos sonhos não significa viver em frustração?" ou se ele mesmo "nunca desprezou seu próprio desejo?", o que o fez escrever novo artigo. E as c...

Crescimento e equilíbrio

Ontem um amigo se questionava sobre o motivo pelo qual o homem luta tanto, e a vida toda, por conhecimento, estudo, diploma, títulos, posição social, dinheiro, bens e status; e nem sempre tudo isso o faz uma pessoa feliz. Ponderava ele que crescimento e progresso faz parte do homem. Todos nós buscamos isso  —  o que é natural. A busca por progresso é o que impulsiona o homem a criar e é por isso que é dotado de inteligência. No entanto, o questionamento que se fazia era sobre a busca excessiva do ser humano pelo que é material. E sua indagação era o por que o homem tem deixado de lado o crescimento de outros valores mais elevados como moral e ética, principalmente pelo fato de que essa busca incessante pelo material deixa de lado valores espirituais tão importantes para o próprio  homem. Hoje vivemos num mundo voltado para um consumismo exagerado. Ganhamos dinheiro porque precisamos gastá-lo. O celular precisa ser trocado e o notebook também. Ah! E ...

Chorar quando é preciso chorar

Em certos dias, parece que levantamos melancólicos, dias em que lembramos de acontecimentos chatos por que passamos, dias difíceis, problemas já superados, mas que nos fizeram sofrer. Lembramos de pessoas queridas que estão longe, lembramos das que deixaram só a ausência, enfim lembramos de tudo que pode nos entristecer. Parece um novelo de fatos se desenrolando, e cujo fio vai nos envolvendo num emaranhado de pensamentos ruins. E ficamos tristes...  Nem sabemos como tudo se inicia. Mas alguém sempre vem e nos diz que tudo já passou; que passamos por coisas piores; que não temos motivos para ficar pensando no passado, que a vida é sempre para frente... E quem sempre nos diz isso o faz para vermos que não adianta pensar no que é triste. E é uma verdade. Se hoje estamos vivos, devemos estar felizes. Quando isso me acontece, penso logo em ver o lado bom que a vida me dá, e também incentivo as pessoas a verem sempre o que é positivo. Assim, podemos observar que há tan...