22 de novembro de 2014

Seria tudo diferente?


Quem nunca ficou se questionando como teria sido sua vida, se tivesse aceitado um convite que não aceitou ou virasse aquela rua que não virou; ou não participou daquela festa em que todos foram, mas não foi; ou, ainda, não passou na rua em que ficou de passar; não caminhou logo cedo, como ficou de caminhar? Será que algum acontecimento nessas escolhas que não fizemos, mudaria algo muito importante em nossa vida?
Será que ela poderia ser toda diferente, para o bem ou para o mal? Se eu aceitasse o convite, poderia conhecer alguém interessante? Se eu virasse aquela rua, teria descoberto outros caminhos? Se eu fosse àquela festa, algo novo poderia acontecer? E se eu caminhasse logo cedo, meu dia teria sido muito diferente? Seria tudo melhor? Ou pior? Ufa! 
E se eu tivesse ficado solteira e não tivesse filhos; e se eu tivesse filhos, mesmo sendo solteira; e se eu tivesse escolhido outra profissão; ou um namorado diferente; ou tido outros amigos; saísse para outros lugares; ou me mudado para outro país? O que seria? E se eu fosse diferente? É... Nunca saberíamos. 
Quantas hipóteses e quantas probabilidades estão nos caminhos por que percorremos durante toda nossa vida! Mas, nossas escolhas são sempre individuais, pensadas e repensadas, apesar de existirem aquelas resultantes de mudanças de acontecimentos inesperados, não pretendidos. 
Por isso, lembrei-me de uma comédia romântica - até meio desconhecida - a que assisti há tempos, chamada De caso com o acaso, protagonizada pela atriz Gwyneth Paltrow, que vive Helen, uma jovem relações públicas que é demitida. Ao voltar para casa conformada com a notícia, dirige-se ao metrô, corre, mas a porta se fecha. Daí em diante, sua vida é mostrada em uma espécie de realidade paralela. A Helen que fica ali no metrô, e a que consegue passar por aquela porta. 
E vamos vendo que, ao pegar o metrô, ela chega mais cedo em casa e flagra seu namorado em uma traição. Consequentemente, rompe o relacionamento. No entanto, tudo isso faz com que Hellen consiga transformar sua vida pessoal e profissional, e ainda encontrar um novo amor. 
Já aquela que não consegue entar no trem, não chega a flagrar a traição de seu namorado e continua seu relacionamento; não consegue um emprego como o que tinha; e vai se virando em empregos bem mais difíceis, e começando a suspeitar de uma possível traição do namorado. 
Mas, apesar de vidas tão diferentes, o fato de Helen continuar lutando e crescendo é o que existe em comum entre ambas. 
Seria assim nossa vida? Cheia de acasos que, como numa teoria do caos, um simples acontecimento geraria efeitos tão inesperados e surpreendentes? 
Citei o filme para ilustrar melhor essa nossa tendência de achar que tudo em nossa vida "teria de ser assim mesmo" resultado de uma espécie de destino. 
Fazemos escolhas e modificamos nossa vida a todo instante. Podem ser pequenas e inesperadas ou grandes e planejadas mudanças. Porém, quaisquer que sejam essas mudanças, elas existem porque estamos vivos, experimentando, crescendo lenta ou mais rapidamente, porque não temos controle sobre os acontecimentos da vida, o que pode torná-la difícil ou interesssante, assim, como as vidas de Helen. 
E mesmo que criemos percursos diferentes e mais difíceis, o fato de sermos únicos em essência, nos dá a certeza de que chegaremos onde quisermos, e talvez nem saibamos onde. E será que isso é assim, tão importante? 
Perder o metrô, o emprego ou o namorado (ou os três ao mesmo tempo!) é triste, claro. Mas, também é uma forma de enxergarmos a vida por outros pontos de vista. E viver sem tantos medos e questionamentos. A vida é o que é. 


Rita Ribeiro
[Sob Licença Creative Commons]

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