21 de maio de 2009

Memórias, emoções e esquecimento

"Hoje construímos e interpretamos nossa identidade em termos narrativos: somos aquilo que nos aconteceu, o que fizemos, o que outros fizeram a nós, como reagimos ao que outros fizeram a nós etc. Se isso é o que somos, então a memória é essencial. A memória, nesse caso, é nossa identidade; se você perde sua memória, perde seu eu."

(Miroslav Volf)

Hoje li uma entrevista do professor e teólogo croata Miroslav Volf, escritor do livro "O Fim da Memória", em que fala das memórias, das emoções e do perdão. Diz ele que somos o que somos porque temos memória e assim, tudo o que vivenciamos e memorizamos formam nosso "eu". 
Gostei muito da forma como aborda os traumas resultantes dos conflitos por nós vividos, pois, como diz ele, são marcados por emoções que os legitimam e fazem com que essas lembranças estejam sempre vivas em nossas mentes, fazendo-nos sofrer durante grande parte da vida. Sabemos que guardamos ressentimentos, rancor de males que nos fizeram, guardamos dores e sofremos. E não as esquecemos, pois, para isso, deveríamos perdoar pelo mal sofrido, esquecê-los. 
Para o teólogo, enfrentar esses traumas, tentar perdoar, esquecer seria o caminho para dissipar a energia emocional aí contida. Porém, "perdoamos parte do que aconteceu, mas não o todo; perdoamos, e então retiramos nosso perdão em momentos de ira, e assim por diante. O perdoar é sempre um processo, e frequentemente um processo marcado por reveses inesperados"
Portanto, vemos que em nossas vidas, muito do que guardamos precisa de esquecimento, o que não é fácil, mas não impossível. Deve ser um processo em várias etapas, lento, mas constante. 
Para ele, as terapias tratam somente o indivíduo, são válidas, mas os nossos relacionamentos também precisam de "conserto". Assim, buscar nosso autoconhecimento e tentar resolver com o outro as dores que nossos problemas nos causam pode nos levar ao entendimento, ao esquecimento, ao perdão. 
Enfim, enfrentar os traumas, que são carregados de emoções, é importante para que possamos dissipar de nossa mente as lembranças que nos fazem mal. Tentar é o caminho que pode nos levar a uma felicidade ainda não experimentada: aquela que nos liberta do que guardamos em nossa memória e que, por vezes, até desconhecemos.

2 comentários:

  1. Uma vez ouvi num acampamento cristão a seguinte frase: perdoar é permitir que a pessoa que te magoou participar da sua vida novamente. Isso na prática é difícil,só Deus mesmo pra nos ajudar! Post interessantíssimo ^^
    Bjoks

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  2. É difícil mesmo, Debby, mas é tão certo, não? Porque sempre digo que guardar mágoas faz mal somente para quem as guarda. Às vezes, quem fez algum mal nem se lembra mais de nada...

    Muito obrigada! ;)
    Beijão!

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