23 de março de 2008

Pequenos prazeres


Infelizmente, nos dias difíceis em que vivemos, esses em que precisamos correr para o trabalho, comer depressa, voltar para a casa para cuidar do jantar, pegar trânsito, estressar-se e não termos tempo mais para nada, acabamos nos esquecendo de pequenos prazeres aos quais deveríamos recorrer para, de certa forma, fugirmos desse nervosismo todo que nos envolve e nem mesmo o percebemos. 
Temos consciência dele, quando acabamos "explodindo" com alguém próximo, coitado! aquele que nada fez para nós, mas falou alguma coisinha, bem no momento errado. É... aquele com o qual, pela intimidade, podemos gritar e desabafar tudo aquilo que viemos carregando sem poder "botar pra fora". Bom, aí, tarde demais, estrago feito, e por que motivo? Nenhum! Simples estresse acumulado. 
Talvez, o que nos falte seja um minuto para curtir o céu azul, um sorvete, um doce, ou uma música relaxante, a qual esquecemos de prestar atenção. Um bom dia, boa tarde, um beijo de cumprimento, retribuir sorrisos, observar a chuva lá fora... São segundos que podemos gastar em nosso próprio favor. Parece bobagem e não é. Quem assistiu ao filme "O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain" sabe do que falo. 
A personagem do filme, Amélie, nos nos descreve vários pequenos prazeres, pequenas coisas, como enfiar as mão naquele saco de feijão enorme que tem na venda, pegá-los e soltá-los lentamente, sentindo aquela sensação nas mãos. Estranho isso? Não, não é não. Pense em coisas boas, que levam minutos, segundos, mas que nos dão prazer, alegria e nos acalmam. A leitura de um livro, o pôr do sol (olha eu de novo com ele!), uma brisa no rosto, pisar folhas secas do chão de um dia de outono (conheço alguém que adora isso!). Enfim, existem muitas maneiras de nos presentearmos com pequenas alegrias. 
Num mundo consumista e louco como este, parece que alegria só se consegue com o tão esperado "sonho de consumo" como lindas roupas de grife, ou um celular todo equipado com tudo aquilo que nem será utilizado ou aquele carro, "aquele" carro mesmo! E até lá?! Que fazemos nesse tempo todo, enquanto não se consegue essas "grandes coisas da vida"? Ficamos frustrados, nos entristecemos e nos deprimimos, brigamos com o filho, pai, marido, mulher, avô e chefe? Até onde isso vai?! 
Está na hora de nos lembrarmos das coisas da nossa infância, aquele doce período em que não tínhamos grandes problemas para resolver, a não ser tarefas da casa ou da escola, ou uma pequena briguinha na escola! 
E por que éramos felizes e não somos mais? Será tão difícil mantermos dentro de nós aquela criança que fomos cheia de sonhos e alegrias íntimas. Onde está ela? Ela sabia dos pequenos prazeres, das brincadeiras ingênuas, e por isso era feliz. 
Bom, eu tenho tentado buscar-me lá atrás, porque muito daquilo faz com que eu seja o que sou hoje, e não os grandes desejos que possam vir a me fazer feliz. 
Futuro é mistério... A vida está aí para ser vivida. E vivida com felicidade, essa que não está lá fora, em coisas exteriores, mas dentro de nós mesmos. 
Que tal aproveitarmos o dia de hoje, abrir a janela e ver que o dia está lindo, com um baita sol, ou com uma baita chuva. Depende de como o virmos ou sentirmos. Que tal pegarmos o filho, ou aquele sobrinho, ou ainda, o filho do vizinho e voltarmos a ter contato com essa coisa boa que é tornar-se um pouco criança novamente. E nunca deixar que essa sensação morra lá dentro de nós. 
Faça uma listinha de pequenas coisas que te dão prazer. Prazer para a alma. Hoje é Páscoa! E eu vou almoçar com a minha família!

Rita Ribeiro

2 comentários:

  1. Ser feliz não é ser escravo de sonhos e convicções... mais vale enfrentar a vida escancarando os dentes ao sol...
    ... é simples assim.

    Beijo grande.

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  2. Certíssimo, Vlad!

    Beijo!
    =*

    ResponderExcluir

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