22 de julho de 2015

Em defesa dos homens

Tenho lido diversos textos escritos por mulheres e para as mulheres com o objetivo de dar conselhos àquelas que já sofreram (ou sofrem) por causa de um homem, um marido ou um namorado, dizendo a elas que, se traídas ou desiludidas, que "chute o pau da barraca",  que "ponha uma roupa nova", "vá pra balada", "mande o ex pro inferno", entre outros e intermináveis conselhos raivosos e vingativos que diminuem as mulheres. É claro que exagero nas palavras, mas é algo bem parecido. Resumem tudo a "pagar na mesma moeda". 
E, estes mesmos textos tem muitas e muitas leitoras que vão deixar seus comentários "puxa, senti isso!", "disse tudo!" perfeito!" criando uma catarse.
O título deste meu post não quer dizer que eu defenda os homens canalhas, traidores, que fizeram algum mal à sua mulher ou namorada. 
Defendo outro homem, aquele que também sofreu com uma mulher que o deixou desiludido. Ele também sofre porque uma mulher brincou com os sentimentos dele. Sim, porque não é privilégio do homem fazer sofrer. Relacionamentos não se resumem a isso.
Sabemos que existem as mulheres ciumentas que também fazem da vida deles um inferno; as que nunca confiam; aquelas que elegem outras prioridades na vida dela; as que traem. Enfim, todos erram, homens ou mulheres.
Também sou testemunha de amigos meus que pensam assim, numeram casos de "ex", e de mulheres que, atualmente, não querem um relacionamento sério.
Certa vez, uma colega de faculdade ficou brava com a irmã mais nova, porque ela queria namorar sério, estava apaixonada. Mas a irmã [minha colega] insistia que ela precisava conhecer outros caras, pois era muito cedo para um namoro sério e dizia "Você precisa curtir mais a vida". 
Mas, por quê? Ela era só uma adolescente, e queria passar pela experiência. A decisão dela precisaria ser pautada pelas experiências da irmã mais velha?
E fico pensando que as mulheres hoje parecem mesmo não querer se prender a ninguém. 
É claro que ficar presa a um relacionamento, para dizer que está com alguém não pode mesmo dar certo, mas deixar de vivenciar experiências com alguém com quem se tem afeto por medo, por querer curtir a vida, porque é melhor ter vários e não se prender a ninguém; isso já é negar a si mesma ser feliz, por que nada "tem de ser".
Isso é deixar-se levar pelas ideias e experiências dos outros; e que não serão, necessariamente, o que se vai viver. Não é pensar por si mesma nem saber sentir de verdade.
E, afinal, o que querem mesmo as mulheres? Se viver com um parceiro que não é legal é frustrante, por que não tomar atitude? Deixe o cara, e vá viver sem ele. Quantas vezes não vemos mulheres que sofrem com o namorado ou marido; choram e se descabelam e nada fazem? 
O problema é que para tomar atitude é preciso ter coragem. É abrir mão da zona de conforto, do relacionamento de tempos, é ter que partir ou deixar partir, e ficar só. 
Ficar só assusta. Ser independente dá trabalho, é difícil. 
Todos têm medo do desconhecido, é claro, mas também é muito bom mudar, pois a vida realmente passa a ser de si mesmo, estando ou não com alguém ao seu lado.
E de quantas coisas não é preciso abrir mão para isso? 
No caso de um namoro, romper é tocar sozinha e tentar ser feliz, fazer um curso, ler mais, malhar; mas com o objetivo de fazer a vida ser melhor e, quem sabe, talvez, um cara apareça. Se não aparecer, tanto faz, não deve ser o que mais importa nesses momentos.
Se o rompimento significa o fim de um casamento, é muito mais difícil, porque implica em romper laços de famílias que se juntaram; ter que deixar uma estrutura familiar mais definida, principalmente se há filhos. 
Isso significa ter que trabalhar fora, ou trabalhar mais, ter que batalhar para sustentar, sozinha, os filhos e uma casa. A vida se torna mais complicada, no entanto, se o que se vivia a dois era um sofrimento, talvez seja necessária essa coragem. 
Então, como é difícil tomar uma atitude ou mudar a perspectiva do que seria melhor para si mesma, procura-se alguém em quem colocar a culpa. Assim, os homens não prestam, e as mulheres não querem mais nada. Bem mais fácil tornar-se vítima.
Falo em defesa dos homens, mas também em defesa das próprias mulheres, porque vivemos em uma época muito diferente da dos nossos pais e avós em que nem se poderia pensar em uma separação. 
A mulher, hoje, pode ser mais independente, têm profissão, trabalham fora, tomam decisões, são chefes, estudam, tem conhecimento, e podem descobrir e decidir pelo que pode lhes fazer mais felizes.
Tomar atitude faz com que mulheres (e homens também!) vejam que, a partir de uma experiência ruim, é possível recomeçar, reconstruir-se, e compreender como é bom viver por si mesmo, com ou sem alguém ao lado. Dependendo do caso, pode ser bastante libertador até. Talvez o homem não entenda ainda essa mulher.
E por mais difícil que seja mudar; por mais longo que seja esse caminho, tanto mais gratificante serão essas conquistas. E o sentimento de segurança e confiança em si mesmo será muito maior.
Então, em vez de as mulheres se colocarem no papel de vítima (e os homens também!), seria melhor verem a possibilidade das mudanças mesmo que tragam riscos e a necessidade de se repensar as próprias posturas; pois todos podem errar, tanto homens, quanto mulheres. E que se pare de generalizar tanto sobre como são as mulheres e com são os homens. 
Que queiram, realmente, ser outras, melhores, e não vingativas, raivosas ou vítimas da vida. As escolhas são nossas e a responsabilidade pelas consequências também.


Rita Ribeiro
[Sob Licença Creative Commons]

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