28 de setembro de 2012

O mal do orgulho

"Só sei que nada sei", máxima que encerra um dos melhores ensinamentos, foi deixada pelo filósofo grego Sócrates, que nos faz compreender que sempre temos, e sempre teremos, muito o que aprender. Se o mundo é vasto, quem somos nós, pequenos seres aprendizes, a imaginar que sabemos tudo? No que nos diz o filósofo vejo a sabedoria da humildade nela contida.
Humildade que se opõe ao orgulho e ao egoísmo, grandes males que os homens têm arraigados dentro de si. Aliás, vejo o orgulho como um mal, raiz de tantos outros males que cegam muitas pessoas. São pessoas presunçosas que pensam poder mais que outros, que pensam ser maiores e melhores, que pensam ter a verdade.
É que têm um apego a si mesmos e que eu, sinceramente, não compreendo. Alguns desses que vejo por aí são incapazes de mostrar que podem aprender algo com um semelhante. Não ouvimos deles frases como: "Nossa! É mesmo? Não sabia!" ou "Que interessante, aprendi algo novo".
Presunção, prepotência, intolerância é o que cerca pessoas desse tipo que são incapazes de reconhecer o valor de outros. E acabam por nos mostrar, com essa empáfia, uma grande ignorância. Ignorância em reconhecer que somos seres diferentes uns dos outros, com experiências, educação, criação e vivências diversas que dão a cada um conhecimento e visão de mundo diferentes. 
Somos individualidades. Estamos sempre aprendendo desde pequenos em casa, na escola, com os amigos, com a vida e com tudo o que ela nos apresenta de bom e de ruim. E não podemos nunca dizer que o aprendizado que determinada pessoa tira daquilo que vive seja igual ao de outra.
É como se a vida fosse um livro. Cada leitor apreende dos livros, assim como da vida, aquilo que suas experiências lhes permite. Posso apreender conhecimentos profundos ao ler, como entender superficialmente o que ali está contido. Posso ler e reler e sempre aprender mais, ou não compreender nada.
E como imaginar que alguém possa acreditar que, sempre, todos à sua volta saibam menos e, consequentemente, com elas não concorde, simplesmente porque não compartilham seus pontos de vista? Aí se encontra a maior e pior ignorância, aquela de quem não reconhece que tem muito a aprender, e que seu conhecimento não passa de um grão de areia na imensidão de um deserto.
E quanto mais orgulho em si, mais o orgulho a si  corrói e a si destrói, e de si afasta as pessoas, algumas verdades da vida e a beleza de se adquirir humildade, porque em algum momento as pessoas à sua volta  lhes deixa de partilhar experiências, porque o egoísmo não é algo que faça seres se unirem, ao contrário, dificulta-lhes a convivência sadia.
O egoísmo dificulta reconhecer o que seu semelhante sabe ou não reconhecer quão importante pode ser a convivência dos que aparentam saber menos - e só aparentam, ou daqueles que simplesmente são diferentes. Penso, então, que isso é bastante triste, pois sei que onde estivermos, e com quem conversarmos, sempre estaremos aprendendo algo.
Vivemos e convivemos numa teia em que fazemos trocas, aprendendo e ensinando sempre. E triste dessas pessoas que pensam que podem dizer o que pensam, ferir com palavras, ofender e até humilhar, com o falso sentimento, que seus inflados egos lhes dão, de que se bastam a si mesmos, quando vemos que o caminho que lhes aparece à frente - para qualquer lugar que seja -, é longo, muito longo. 


Rita Ribeiro
[Sob Licença Creative Commons]

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