15 de maio de 2012

Nossa forma particular de ser feliz

"Liberdade na vida é ter alguém pra se prender."
(Fabrício Carpinejar)


Talvez o escritor, poeta e artista multimídia Fabrício Carpinejar tenha, com esse paradoxo genial, encontrado o que é sua fórmula de felicidade. Não há dúvidas, receita para felicidade não existe, porque só o tempo e nossas experiências felizes (ou não) é que vão nos indicando tudo aquilo com o que nos identificamos; o que gostamos, o que nos dá prazer, o que nos faz pessoas melhores, o que nos dá paz de espírito e serenidade.
Mas nessa busca, vamos tateando aqui e li, andando meio no escuro, errando, acertando, vencendo barreiras. E só vemos que estamos num processo de amadurecimento, quando nos deparamos com alguma adversidade. Nesses momentos, quando temos os amigos e a família ao nosso lado para nos apoiar é sempre bom, mas nunca é garantia de que superaremos os problemas, porque somos seres solitários, individualidades caminhando, buscando nossa identidade que tende a se modificar conforme vamos adquirindo novos conhecimentos a respeito do que somos e do melhor caminho a seguir.
Encontrar a felicidade é compreender que aquilo que é bom para um não é bom para o outro, e que nunca seremos felizes se desejarmos o que está fora de nós e não for realmente nosso desejo mais íntimo. Infelizmente estamos vivendo num mundo em que as pessoas sentem a necessidade de seguir caminhos percorridos por outras pessoas.
Desejam o que outros desejam. Compram o que outros compram. Viajam para onde outros viajam. Vivem da forma que veem outras pessoas viverem e acham que é o jeito que devem viver. Não param e não pensam se é aquele o seu real desejo. Parecem não se perguntar o que querem realmente para si.
O sociólogo Zigmunt Bauman conta que a vida de Sócrates, filósofo grego, é considerada por muitos filósofos contemporâneos a vida ideal, e que todos deveriam viver como ele. E o sociólogo se questiona se realmente seria a vida perfeita. Isso porque Sócrates considerava que o segredo de sua felicidade era ele próprio ter criado a vida que viveu.
Com isso, Bauman quer dizer que, para cada ser humano há um mundo perfeito especialmente para si, mas as pessoas não compreendem isso. E caminham sem encontrar esse modo de viver que cada um possui. Então, buscam de forma errada, sem encontrar tudo aquilo com que poderiam se identificar.
O sociólogo afirma que, "uma vida minimamente digna e feliz demanda duas coisas essenciais: a liberdade e a segurança". No entanto, dosar liberdade e segurança, para ele, é a grande dificuldade que o ser humano encontra, e dificilmente encontrará.
Não há como ter segurança sem se sentir melancolicamente sem liberdade. E ter liberdade faz o ser humano sentir falta de um estado de conforto, de estabilidade e de confiança encontrada naquele meio em que é conhecido e que sabe o que pode esperar dos outros.
Vivemos com pessoas diferentes de nós, com sonhos, anseios, desejos, temperamentos e sentimentos também diferentes. Tivemos diferentes formas de educação e diferentes oportunidades em nossa formação, mas é nessa interação com o outro diferente de nós - como nós dele -, que podemos manter nossa individualidade, e também buscarmos, nessa configuração, a oportunidade de novo conhecimento sobre o outro e, consequentemente, sobre nós mesmos.
É na convivência que somos testados a fim de tirar um aprendizado, ora sobre nosso egoísmo, ora sobre nossas carências e entendermos que podemos, sem nos isolar, e como diz Carpinejar, tendo aqueles nos quais seja bom e saudável "nos prender", e descobrirmos boas oportunidades de encontrar a nossa particular forma de ser feliz. Talvez até seja aquele mundo perfeito que há especialmente feito para nós... Quem sabe?


Rita Ribeiro

6 comentários:

  1. no primeiro paragrafo na parte que necessitamos (acrescentaria ao próprio fato de ter sido feliz...)pois o tempo dá as respostas e descobertas de onde fomos ou seremos felizes... mas está ótimo as considerações bj

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    1. Anotado!^^
      Grata pelo comentário. :)
      Bjs

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  2. Rita, um texto reflexivo. Muito bem escrito, aliás. Andei navegando no seu blog e fiquei encantado com a forma com a qual você transita entre o senso comum e a reflexão em sua forma mais genuída. Sabe, eu sou filósofo de formação e blogo no http://fagocitandosp.blogspot.com/. Recomendo uma visitinha, dá uma olhada na time-line e tenho certeza que vai encontrar algumas postagens inquietantes também. As com os títulos estranhos são as melhores. Enfim, estou adicionando você aqui na lista de blog que eu visito com frequencia. Vou voltar sempre aqui =) Aliás... eu estou recrutando um novo ou nova colunista pro meu cantinho. Você tem o pefil que faltava lá =) Não sei quais suas ambições com o blog, mas eu gostaria muito das tuas reflexões lá.

    Obrigado por nos presentear com seus textos, vou repassar a outros amigos e blogueiros =)

    Abraços

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    1. Olá, Diego, muito obrigada pelas palavras. Vindas de alguém com formação em filosofia, me deixam bastante contente. Visitarei seu blog, sim.
      Quanto ao seu recrutamento, se você achar que posso ser essa pessoa a colaborar em seu espaço, fico muito lisonjeada. :)

      Agradeço muito esse seu comentário, volte mesmo e comente sempre que quiser.
      Mais tarde vou até seu blog ler seus posts inquietantes, ainda mais os de títulos estranhos. :)

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  3. Rita, a minha visita tem o objetivo de saber se já resolveu o problema do lápis ou seja se seu acesso rápido já fonciona, se já tudo bem, se não diga alguma coisa que também tive esse problema e consegui resolver. Tudo bom.

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    1. Olá, António, tudo voltou ao normal alguns dias após eu enviar a mensagem. Está tudo em ordem. Acredito que aquilo possa ter acontecido por o Blogger ter mudado um pouco os comentários.
      Obrigada pela visita e pelo interesse. Se quiser conhecer o blog, fique à vontade, ok?
      Abraço!

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