11 de janeiro de 2012

Como a vida da gente

"A Vida da Gente" é o nome da novela das 18h, da Rede Globo, que tenho assistido. Sim, sim, vejo novela, mas só quando ela me encanta, quando me emociona, quando é uma novela diferente e que, em muitos aspectos, faz com que eu perceba, refletida em muitas tramas da narrativa, as histórias bonitas, tristes, emocionantes por que todos nós passamos. 
Há muito tempo não assistia a uma novela, com exceção de "Cordel Encantado", que também assisti por ter sido muito  bem produzida, diferente e emocionante. 
Bem, mas hoje me propus a falar de "A Vida da Gente", novela ambientada no Rio Grande do Sul, escrita por Lícia Manzo e dirigida por Jayme Monjardim.
Em primeiro lugar, como o próprio nome diz, ela trata de pessoas comuns como eu você, uma amiga ou amigo meu, nosso, nossos pais ou aquele vizinho; enfim, pessoas que, sabemos bem, passam por diversos obstáculos na vida e de naturezas diversas, mas por haver amor, amizade, afeto; haver apoio dos que se querem bem, é possível sempre prosseguir e superar os mais difíceis problemas.
Não se trata de um conto de fadas inverossímil ou uma fantasiosa narrativa, cansativa, sem conteúdo e com personagens que só gritam histericamente, que é o que vejo em novelas do horário nobre de há alguns bons anos para cá.
Com uma bela fotografia, trilha sonora de muito bom gosto, e um ótimo elenco, eu me sinto, muitas vezes assistindo a um filme. Claro, é um certo exagero meu, mas é que sinto uma enorme diferença no tratamento das cenas, na bela fotografia e nos diálogos que demonstram a delicadeza com que a alegria e os problemas das personagens são tratados. 
Há os protagonistas que toda narrativa deve ter - uma tenista que sofre um acidente, quando sai de casa no auge de sua carreira, para viver uma paixão e ter um filho que não era esperado. 
Por causa do acidente, entra em um coma que fará com que todos, sem saber se um dia ela voltará, resolvam com muita hesitação e dificuldade  a seguirem suas vidas sem ela. 
Tudo se torna felicidade, mas também angústia, quando, depois de anos, ela retorna do coma. Tudo, então, se modifica, famílias que se amam se desentendem, amores adormecidos junto ao coma renascem. E apesar de todo o sofrimento, a amor paira sobre todos, para alegria de uns e o sofrimento que envolve outros. 
Em torno dos protagonistas há outras pessoas 'da vida da gente' que se encontram em algum drama envolvendo pais que, um dia, não souberam amar seus filhos e os rejeitaram por negligência ou por opção. Todos vivem seus momentos de afeto, mas ao mesmo tempo enfrentam as dificuldades que todo relacionamento tem: casamentos que se desfazem, porque alguns amam mais que os outros ou porque o dinheiro para uns está acima de tudo; há avós que ouvem e aconselham; pais que vivem só para o trabalho; mulheres atrás de um casamento que traga dinheiro e casais de idosos que mostram que é possível amar e ser feliz durante toda a vida. 
E todos esses dramas poderiam ser cansativos ao telespectador, se não fosse a delicadeza como são tratados, pois continuam sendo problemas difíceis que a vida apresenta, mas há o afeto da filha que dá a mão ao pai e o apoia, os conselhos da avó ou as do terapeuta que orienta. E todos esses conselhos que  familiares e amigos trocam, aliás, em diálogos muito bem escritos, mostram que o sentimento e a mão estendida podem ser tudo num momento de grande angústia e tristeza.
Ao assistir a novela, fico pensando por que uma novela como essa, não é exibida no horário nobre. Imagino que faria muito sucesso, porque nela há uma história bem contada, com encanto e emoção de personagens falíveis que renascem a todo momento, porque neles todos há afeto apesar de tudo. 
Bons elencos todas as novelas têm, mas talvez falte uma história mais verdadeira, com afeto, simplicidade e delicadeza em seu enredo. Afinal, quem não gosta disso?
A quem nunca assistiu a esta novela, até recomendaria ver algum capítulo, só para poder perceber a diferença desses detalhes todos que me cativaram e emocionaram desde que a comecei assistir.  
Nunca imaginei que escreveria um post, aqui, sobre novelas, porém se essa me encanta e me emociona, por que não falar dela, não é mesmo? Tem tudo a ver.

Rita Ribeiro

Veja:
- a ficha técnica da novela;
- a trilha sonora, cujo tema de abertura é a música "Oração ao Tempo", de Caetano Veloso, interpretada por Maria Gadú


2 comentários:

  1. Sempre assisto as novelas das 6 e elas primam pela autenticidade e um enredo maravilhoso que nos prende e cativa transmitindo uma mensagem de fé, bondade e otimismo, mesmo entre maldades e intransigencias. bjs

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  2. Concordo, Doroni. E é muito bom saber que ainda se pode assistir a uma novela assim, com qualidade. :)
    Beijos!

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