15 de setembro de 2010

O mundo é vasto [Danuza Leão]


É muito difícil encontrar nosso caminho, o certo - se é que ele existe. O que você pretende ser quando crescer? Sinceramente: alguém, em sã consciência, pode, aos 15, ter a certeza de que pretende passar a vida no pregão da Bolsa de Valores ou abrir um restaurante chinês? As coisas vão acontecendo, as ocasiões se apresentando e, como dizem os gaúchos, é preciso estar atento para montar o cavalo quando ele passar encilhado. E, se olhar para trás, vai reconhecer que talvez ele tenha passado várias vezes - só que você não percebeu. 
Na vida pessoal/afetiva é a mesma coisa. Quantas vezes não aconteceu de aparecer alguém com quem você poderia ter vivido uma bela história, mas que não foi nem considerado na época, porque seu coração batia mais forte quando o outro chegava; aquele, aliás, que quase nunca chegava e um dia te largou por outra. 
É duro chorar pelo que não se fez e pela pior das cegueiras: a cegueira mental. 
É maravilhoso saber o que se quer e trabalhar com perseverança para chegar lá, mas a vida não para de passar; enquanto batalha pelo que quer, fique atenta, pois de repente pode acontecer alguma coisa que vai mudar totalmente seu rumo. 
Seu sonho é fazer um documentário, mas ainda não conseguiu chegar lá - é, a vida é dura, somos todos injustiçados e incompreendidos. Se nesse meio tempo alguém oferece um trabalho por 15 dias, coisa modesta, tipo encapar livros ou ajudar a fazer pulseiras de artesanato ganhando uma graninha bem pequena, você aceita ou se sente quase ofendida? Pois aceite: quem sabe descobre uma vocação que nunca havia percebido antes e acabe criando joias de verdade e se tornando uma nova Paloma Picasso? No meio do caminho tudo pode acontecer, até descobrir que você gosta mesmo é de mexer com metais - e daí para virar escultora é só um passo. 
E tem a natureza, os mares, as florestas, os desertos, os aviões, a televisão, os sabores, as texturas, a política, as crianças, o frio, o prazer de andar descalça na grama, a internet, os peixes, o amor, os livros, o vento, a chuva, o futuro, o passado, a memória, a esperança, o sono, a água, o fogo, as letras, os números, as religiões, a cultura, a história e o melhor de tudo: a imaginação. 
Não é possível que você não consiga encontrar um interesse digno desse nome diante de tantas maravilhas. De pelo menos uma dessas coisas você deve - ou pode - gostar apaixonadamente. Vá ao mercado perto de sua casa, compre um abacaxi e pense no milagre que é a natureza, milagre que se repete em cada fruta, cada folha, e que uma vida inteira seria pouco para refletir sobre o que é o paladar, o aroma, a textura de cada uma dessas coisas que a gente olha todos os dias mas não vê. 
De descoberta em descoberta a vida vai passando e, um dia, quando você menos espera, acontece o que você mais queria: encontra seu verdadeiro caminho. Quando isso acontecer, vai ser maravilhoso, mas mesmo assim nunca abra mão das infinitas possibilidades que existem e vão existir sempre.


Fantástico esse artigo de Danuza! Quem, um dia, não quis ou ainda quer mudar seu caminho, fazer algo novo, ter outra perspectiva em relação à vida e ao mundo, e não percebe que "no meio do caminho tudo pode acontecer"? Fique atento! Muito interessante. Espero que gostem como gostei.

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