13 de março de 2010

No caminho que faço

Nem sempre observamos bem o que há no caminho que fazemos diariamente. E seria bastante interessante se o fizéssemos. Quando volto caminhando para casa, entre 18h e 19h30, percorro duas grandes avenidas até que a minha rua chegue. Hora do rush, muitos carros, muitas pessoas em muitos semáforos. Gosto das avenidas largas e arborizadas, movimentadas e iluminadas, não só pela iluminação pública, mas também a dos faróis e lanternas dos carros. 
O céu pode ainda estar meio claro ou começando a escurecer, e isso é sempre bonito de ver. Sempre entro numa padaria, cujo pãozinho eu adoro e então, eu vou... Vou seguindo a avenida, que desce, e mais à frente tem muitos prédios de apartamentos (o comércio já ficou pra trás) e, por isso, além das pessoas que, como eu, voltam pra casa, vejo moças, homens e senhoras com seus cães, porque é a hora de passear. 
Passa o senhor com seu labrador simpático mais a daschaund neurótica que late pra mim escandalosamente, o que faz seu dono, sem graça, dizer pra eu não ligar, que "ela já está ficando velha". Eu acabo rindo e digo que sei como é, pois "minha mãe tem uma igualzinha". E assim, as pessoas de sempre e seus cachorrinhos vão dividindo a calçada comigo. São poodles, yorkshires, bóxers entre outros que eu nem sei a raça. Todos bonitinhos, peladinhos ou peludinhos, escovados ou com lacinhos. 
Vejo mais à frente uma moça e um homem que conversam acompanhados de seus cães que, a essa altura, já são grandes amigos. Quando passo por eles, vejo que é de seus bichinhos que falam, mas não sei por que razão fico com a impressão de que não é bem disso que gostariam de falar. Será? Não sei. 
E continuando, até que chegue a outra avenida, ainda vejo uma senhora que tem um pequinês (que raridade!). Entre um e outro cachorro, vejo a moça de branco, enfermeira, talvez; a moça loira no seu salto alto; o cara da mochila preta, sempre andando depressa; ah! e o homem do estacionamento. 
Quando, enfim, chego à outra avenida, já bem mais perto de casa, o que vejo são pessoas que, no início da noite, saem para caminhar, correr ou andar de bicicleta. E são várias, aliás, um bom hábito do pessoal da região. Mas adivinhem... Volto a encontrá-los por aqui também: os poodles, yorkshires, bóxers, daschaunds e aqueles que nem sei a raça também... 
É até divertido isso! Entro agora na minha rua, pequena, sossegada, cheia de árvores, alguns carros parados e outros entrando nas garagens dos prédios. Esperam para eu passar. Então, logo vejo a curva que a rua faz e sei que meu prédio está próximo. Mas antes de chegar, sei que ainda vou passar por algum cãozinho a passear. 
Enfim chego ao meu prédio pensando (talvez sorrindo também) em tudo o que curiosamente vi por onde passei. É claro que vi outras coisas interessantes, mas isso fica para uma outra vez... 
E você, já parou para observar o que há no caminho que faz?

5 comentários:

  1. Já parei para pensar nisso algumas vezes e percebi que a vida é tão corrida, que nem reparamos no que acontece a nossa volta. Ás vezes, entro no ônibus, passo o dinheiro para o cobrador e, depois, sentada lá no fundo, reparo que nem prestei atenção no rosto dele!
    Por causa disso, muitas vezes, deixamos certas gentilezas de lado. Não podemos deixar que o ritmo alucinante da nossa vida nos engula e que não nos deixe ver as coisas acontecerem!
    Hoje em dia procuro me policiar e reparo não somente no cobrador, mas no passarinho pousado no fio dos postes...
    Beijo!

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  2. Oi, Nalva, que comentário legal.

    É, tenho me policiado como você. E já faz um tempo. Pois é de agirmos assim, sem ver o que está à nossa volta, que passamos o tempo sem vivê-lo verdadeiramente. Talvez um sorriso seu para esse cobrador fizesse imenso bem a ele e, consequentemente, a você também, não é mesmo?

    Eu chamo a isso de "pequenos prazeres do dia a dia", que fazem bem enorme a nós mesmos e nem desconfiamos. Depois dizemos que o tempo passa muito rápido. O problema é que nem percebemos que nós é que não o vivemos como deveríamos!

    E passar a perceber o passarinho no fio dos postes deve ter sido muito bom, não é mesmo? =)

    Adorei seu comentário.
    Volte sempre! ;)

    Beijo pra você também!
    =*

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  3. Que delícia de post! Adorei acompanhar a sua caminhada.
    Pois é... a vida pulsa nas ruas. E muitas vezes não nos apercebemos disso.
    Eu mesmo adoro caminhar a esmo em calçadas cobertas de folhas numa tarde de outono... mas absorto em meus pensamentos e na própria contemplação da paisagem que a tarde me proporciona, deixo de prestar atenção à vida que desfila diante dos meus olhos. Seja as pessoas em seu ir e vir ou huma simples dança de folhas secas ao sabor do vento.
    Lendo tudo isso que vc escreveu aqui me trouxe huma vontade enorme de sair e prestar mais atenção no mundo ao meu redor.
    Obrigado!
    Hum beijo grande!

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  4. É isso, Vlad, "a vida pulsa nas ruas".

    São várias pessoas a cruzar nosso caminho ou a passar por nós, cada uma um caminho, um destino, uma história. E são muitas, muitos carros, movimento, vida pulsando.
    Gosto muito disso. =)
    Vivemos em grandes centros, mas dessa vida movimentada e estressante, podemos perceber algo de belo e interessante também, e que ficará em nossa mente pra sempre. É só termos olhos para captar, como uma câmera fotográfica que capta um momento que nunca mais será visto...

    Ah! Eu fico aqui a imaginar seu caminhar na calçada coberta de folhas secas numa tarde de outono. E então o que vê depois? Isso dá um post, hem? ^^

    Obrigada pelas palavras, gosto sempre, você sabe. ;)
    Beijo grande!

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  5. Roda Silvana14/08/2012 14:32

    Coisa boa seguir seus passos ,da pra sentir cada movimento,cada olhar.......que delicia fazer isso .Adoro tb ,faz bem pra alma ,acalma a mente e simplesmente observamos e interagimos !Infelizmente nao e sempre que conseguimos fazer isso ,qdo isso acontece vemos a velocidade de nosso dia a dia e nem nos damos conta do porque de tanta ansiedade.Uma otima pratica para ser feita acqualquer momento ,em qualquer lugar.Que bom Rita vc nos despertou!!!!Lindo demais,

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