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Segurança, mudanças e riscos


"Cada história nos diz
Algo sobre quem a contou
Não há um destino a cumprir
Toda escolha diz quem eu sou."

(Lulu Santos)

Durante muito tempo acreditei na ideia de que criar vínculos afetivos, laços de afinidade e de conhecimento duradouros fosse essencial para as relações do meu dia a dia, quer pessoais, quer profissionais, de amizade ou quaisquer outros. Como professora, trabalhava anos seguidos com os mesmos alunos, pois julgava mais produtivas as relações e, consequentemente, o aprendizado. E eram. 
Para tudo sempre agi assim: o salão de beleza que sempre frequentei, as mesmas lojas, o posto de gasolina, além do mesmo eletricista e o pintor. E ainda tinha o supermercado, a farmácia ou a padaria preferidos. Curioso isso. Passamos a ter confiança nas pessoas e sabemos o que podemos esperar delas, bem como elas, de nós. 
Mas até que ponto essa busca por vínculos duradouros não existe apenas para nos dar certa sensação de segurança diante das relações, sem termos que sempre buscar algo novo? Novo e desconhecido? 
A partir do momento em que resolvi mudar algumas coisas em minha vida, outras mudanças ocorreram, umas esperadas, outras inesperadas e muitas não pretendidas. Pude, então, perceber que mudar é arriscar-se, e isso nos traz certo receio. O novo e desconhecido pode dar certo, ou não; pode trazer felicidade e sucesso, ou não. Lidar com sucessos e decepções é o mais difícil. 
Concluí, então, que mudar sempre, vivenciar situações diferentes, conhecer profissionais novos, mudar o local de trabalho, mudar de casa, rua, bairro, amigos, paisagens, profissão, mudar os planos e até os sonhos, nada disso é ruim, ao contrário, mostra-nos apenas que somos os mesmos em essência e capazes de crescer com as novas experiências. 
Dessa forma, compartilhamos o que somos e o que construímos, enriquecendo nossas vidas e de outras pessoas também. Ter consciência e certeza disso é que nos dá segurança e confiança em nós mesmos, pois ela, a segurança, não está no que nos é exterior, mas no que está dentro de nós, em nosso íntimo. 
Assim, é possível nos arriscar diante daquilo que ainda não conhecemos, pois é assim que todas as relações têm início. É como pegar o carro e não fazer aquele caminho de sempre, as mesmas avenidas, esquinas e semáforos, mas conhecer outros novos, com novas ruas, ainda desconhecidas, diferentes, com novas paisagens. Elas nos levarão, certamente, ao mesmo destino, com a diferença de que, ao final, não seremos mais os mesmos de ontem. 
E amanhã poderemos fazer outro caminho ainda. É só querermos vivenciar o novo sem medo. Se não der certo, é só mudar a direção. Isso é viver.

Comentários

  1. As mudanças são desafiadoras e podem ser muito saudáveis pra nós mesmo! ^^

    Tão filosófica vc! =]

    Bjinhos

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  2. Experimentar é algo que faz parte da alma humana. Esse impulso por novos desafios... por querer experimentar e explicar tudo é que difere o homem entre os animais e o faz mais que mera quintessênsia do pó. Por isso, todo desafio é, não apenas válido, como, também, necessário para huma história de vida.

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  3. Meu Deus como você tem se superado.
    Suas reflexões, minhas reflexões... sempre senti muito bem lendo o que você escreve...

    ''...Curioso isso. Passamos a ter confiança nas pessoas e sabemos o que podemos esperar delas, bem como elas, de nós...''



    Li certa vez num livro que o medo da sociedade e o temor a Deus é que nos toca, empurra, comanda e alivia... Confiando nas pessoas fortalecemos os laços que você bem citou, porque no fundo sabemos que sozinhos não vivemos...


    Imensa alegria poder estar aqui nesse momento...

    Paz sempre.

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