14 de agosto de 2009

Em busca do (re)equilíbrio


Mas enfim não há diferença.
Se a flor flore sem querer,
Sem querer a gente pensa.
O que nela é florescer
Em nós é ter consciência."

(Fernando Pessoa)


De um tempo para cá ando sentindo que ideias "zen" como equilíbrio, calma, serenidade, paz, estão um tanto distantes. Estou vivendo momentos extremamente contraditórios e em pequenos espaços de tempo. Que será isso? Pode-se até notar que nem listei a palavra felicidade, apesar de eu ter plena noção de que, quando estamos serenos, estamos felizes, com toda certeza. 
A felicidade é efêmera mesmo. Sei que viver totalmente zen, além de impossível nesse nosso mundo doido, deve também ser um tanto monótono, algo para pouquíssimos que já não precisam aprender mais nada. No entanto, alguns momentos de calmaria são bons. Equilíbrio de emoções e sentimentos são remédio. 
Viver em turbulência é difícil e também um teste de força de vontade e confiança. Ou devo dizer autoconfiança? É que acumulamos problemas, dificuldades, emoções e tristezas, nossas e dos outros que são parte de nossas vidas e que também nos afetam. Nessas horas é melhor parar e sentir tudo que se tem para sentir, chorar tudo que se tem para chorar, pois fazer de conta que se é forte não ajuda em nada. 
Um dia, falei para um amigo que eu tinha acordado feliz, ao que ele me respondeu: "Não, você pensa que está feliz, quer estar, mas não está realmente". Aquilo caiu feito pedra. Fiquei brava e contrariada. Porém, aquilo ia ao encontro do que, no fundo, bem no fundo, eu sentia mesmo, mas não queria ver. Quantas vezes mascaramos nossas tristezas, porque queremos parecer fortes ou não ter nossa vaidade ferida? Por mais que não gostemos do que nos é dito, a pior palavra é meio de reflexão valiosíssimo. Equilíbrio é organizar o que é sombra, buscar dentro de nós o que é luz e repensar o que somos e o que queremos de verdade, sem, é claro, nunca esquecermos de nós em detrimento dos outros. Gostarmos de nós mesmos é imprescindível, para que depois possamos ajudar e amar o outro verdadeiramente. 
O equilíbrio só nós podemos encontrar (ou reencontrar), questionando e refletindo. Às vezes, as pessoas nos dizem muito do que precisamos ouvir, de ruim para nos alertar; e de bom para mostrar o quão importantes, bons e capazes somos e não percebemos, mesmo que temporariamente. 
Se é equilíbrio que queremos, necessitamos agir nessa direção, com vontade e respeito por nós mesmos e pelo nosso tempo. 
E volto a dizer que somos maiores que tudo, mesmo nos momentos em que é difícil termos noção disso.

2 comentários:

  1. Acredito que momentos de alegria são efêmeros porque é muito mais fácil ser triste. Muitas pessoas se mantêm trites não pelo fato de não encontar a felicidade... mas porque não sabem lidar com ela...
    Muitos têm medo da felicidade... é isso que dizia John, não é?

    "... happiness is a warm gun..."

    Acho que hum dos caminhos para o equilíbrio é esse: saber lidar com a felicidade. E acreditar que a tristeza é tão efêmera quanto se pode imaginar que a felicidade seja...

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  2. "Acredito que momentos de alegria são efêmeros porque é muito mais fácil ser triste."

    Não consigo crer nisso, Vlad, mas acho muito interessante o que você diz.

    Em agosto do ano passado fiz um post a respeito de tristeza e felicidade.
    Chama-se "Somos ou ficamos tristes?"
    Deixo o link pra você.

    http://pensamentomeleve.blogspot.com/2008/08/voc-fica-ou-uma-pessoa-triste.html

    ***

    O importante mesmo é podermos refletir a respeito, crescer. E sermos felizes também! :)

    Adorei a visita!
    Beijo!

    Ah! Volte sempre!

    ResponderExcluir

E você, o que pensa a respeito? Comente!

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