30 de maio de 2008

Tudo o que eu deveria fazer...

Desde pequena fui educada para ser uma menina boazinha, sim, de quem todos gostassem, com quem todos se sentissem bem, que estudasse e, consequentemente as professoras e professores se orgulhassem. Era muito feio brigar na rua ou na escola, assim como falar palavrão, responder para os mais velhos, não dizer "Muito obrigada!" ou "Bom dia!"... Enfim, aprendi muito bem o que eu não deveria fazer e sempre fiz o que deveria. 
Aprendi todas as lições. Eram as mesmas lições que minha mãe recebeu da minha querida e amada avó, de quem morro de muitas e muitas saudades... E fui crescendo e ficando uma adolescente, quase moça, quase mulher sempre ouvindo muito os conselhos dos mais velhos como chegar cedo, ter juízo, não fumar, não beber. Depois veio a fase do "cuidado!" agora eu estava com o namorado. 
Fui, dessa maneira, tornando-me uma pessoa voltada sempre para aquilo que "eu deveria fazer". E eu deveria fazer, mesmo? Sim! E se eu não fizesse alguma dessas coisas? O que aconteceria? Seria uma filha muito má e desobediente? Sofreria punições de minha mãe? Ela gostaria menos de mim? Será que tentei fugir às regras do que "eu deveria fazer"? Não me lembro de ter feito isso. Pois é... 
Hoje eu percebo que eu tinha de fazer tudo isso, sim! Mas também experimentar fugir um pouco desse "tudo que eu deveria fazer". Percebo que, se assim fosse, eu seria bastante diferente. Pior ou melhor? Não sei... Diferente apenas. 
Não critico, aqui, a educação que minha família me deu; nem critico as regras e os limites que acredito serem muito necessários para viver bem. Minha família se orgulha de mim, sempre fui ótima aluna, as pessoas gostam de mim, meus professores me adoravam. Sempre tirei notas altas, fui estudiosa e dedicada e me tornei uma boa profissional. Ótimo! Mas sinto hoje que fui obediente demais. 
Deveria ter corrido mais, gritado mais, xingado mais e desobedecido algumas regras. Ninguém gostaria menos de mim por isso. E eu não seria menos, nem mais, nem pouco, nem nada! Eu teria expressado mais meus sentimentos e de forma mais livre, de forma menos reprimida. Hoje eu entendo isso. Porque hoje eu vejo em mim sinais de que eu deveria ter deixado de fazer um pouco do tudo "que eu deveria". 
Acredito que o medo de desobedecer às normas talvez seja, num primeiro momento, medo de contrariar mãe e pai, como também pode se tornar, medo de contrariar as pessoas com que nos relacionamos. 
E acredito ainda que, se durante nossas vidas não escolhermos "como", "quando" e o "quanto" podemos e devemos gritar, e falar "não" mais vezes, poderemos estar, nós mesmos (não os outros) tolhendo nossas formas saudáveis de nos expressar. Isso só depende de nós. Nossos sentimentos, sejam quais forem, estão lá dentro pulsando, gritando, pedindo urgentemente para sair. 
Se não soubermos a hora certa de lhes dar vazão, e ainda, se demorarmos a perceber isso, chegará o dia em que tudo virá à tona, de qualquer maneira. Isso pode ser fácil para uns e para outros, não! 
Estarão aí as raízes de nossos medos e inseguranças? Na dificuldade de dar vazão aos sentimentos? Eu ainda não sei bem. Sei que nunca é tarde para revermos nossos sentimentos latentes. Nunca é tarde para observarmos atitudes de acomodação e medo. Nunca é tarde para olharmos para nós mesmos. 
Porque o viver é nosso caminho, nossas escolhas e quem buscamos ser. E viver bem é tudo que precisamos para sermos felizes. 
Eu parei para assistir à trajetória de minha vida, minhas atitudes e todas as expressões de sentimentos que pulsaram (e ainda pulsam) dentro de mim. Tenho visto tudo como numa tela de cinema. E tem sido muito bom! 
E nunca é tarde para refletirmos e nos descobrirmos de novo, de novo e de novo... 
Como diria Paulinho Moska em sua música Tudo novo de novo: "Vamos mergulhar onde já caímos, tudo novo de novo". Nunca é tarde! Você alguma vez já parou para pensar nisso? "Vamos nos jogar, nos jogar, nos jogar...Tudo novo de novo."

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