30 de abril de 2008

Uma Isabella em nossas vidas

Hoje à noite assisti a um programa que discutia o papel da imprensa no caso Isabella. A maioria dos convidados questionou a ética e a espetacularização que se fez do caso em virtude da briga das TVs por audiência. O programa discutiu o fato de 98,2% de pessoas ouvidas numa pesquisa de opinião declararem ter conhecimento do caso, um número expressivo, e, além disso, de acharem que a imprensa agiu corretamente na cobertura dos fatos. 
O que vem me intrigando desde o início do caso é por que razão nos sentimos tão atraídos pelos detalhes de como tudo aconteceu. Seria por se tratar de um crime bárbaro em que pai joga a filha do sexto andar depois de sua esposa estrangulá-la? Sim, isso é horrível, inacreditável. Seria porque durante todos esses dias temos visto os peritos conseguindo "desenhar" tudo como possivelmente aconteceu na noite do crime? Ou seria pelos dois fatos? 
O crime bárbaro mexe conosco por se tratar de uma família, uma célula da sociedade em que esperaríamos reinasse amor, união, alegria e respeito. Como algo desse tipo pode acontecer? E acabamos por verificar que acontece muito mais do que imaginamos. Será que somente pessoas em desequilíbrio podem fazer algo desse tipo? Ou qualquer uma, em dado momento da vida, poderia agir assim impensadamente? Nunca saberemos ao certo. 
Por outro lado, o trabalho da perícia em busca de indícios no apartamento, para demonstrar passo a passo o que aconteceu naquela noite, foi, sim, um grande motivo de envolvimento das pessoas pelo caso. Psicologicamente, isso acaba soando para todos nós como a descoberta dos fatos (talvez de forma irrefutável) e demonstração de culpabilidade do casal, tudo isso deixa-nos uma impressão de início de justiça sendo feita (o que na verdade ainda não é). E não será esse um grande anseio de todos: Justiça, essa que não estamos vendo em muitos casos ultimamente? 
Confesso que acompanhei tudo o que a imprensa mostrou, mesmo notando que a briga por audiência fez do caso um espetáculo. Mesmo assim, para mim fica a impressão de que todos nós queremos justiça não só para Isabella, mas para tantos outros crimes semelhantes a este. Ou ainda outros, também bárbaros, de jovens que matam índios, moças que matam os pais, políticos corruptos que roubam abertamente e no fim nada acontece. 
A perícia, no caso, parece-nos como a possível punição. "Sim, foram eles, os indícios estavam lá. Que bom! Descobriram tudo." Mas será que a justiça se fará? Há muito ainda a acontecer... Resta a todos não esquecer que existem muitas Isabellas por aí. Resta não esquecer que amor é o que deve existir num lar. Resta não esquecer que somos responsáveis pelo bem-estar daqueles que estão junto de nós. E resta nos conscientizarmos de que somos seres racionais e amorosos - ou deveríamos sê-los, e sempre. 
Será que as famílias estão se esquecendo do que é ser um pai, o que é ser mãe, ser filho? E que nada, nada mesmo, justifica qualquer tipo de violência? E ainda, que violência pode ser muitas e de vários tipos?
Talvez Isabella tenha entrado em nossos lares e nossas famílias como um alerta para que a sociedade passe a refletir e iniciar um grande debate a fim de descobrir o que há de errado com as relações humanas, com a sociedade, com a Justiça e a enorme impunidade que existe em nosso país.

Um comentário:

  1. Eu me perguntei muito o que me atraía tanto nesse crime. Não é pelo horror.
    É exatamente para tentar entender onde chegamos.


    PARABÈNS PELO BLOG!

    BEIJOS
    VECA

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